Competências socioemocionais de docentes: a hora de cuidar dos professores

Há tempos ouvimos e lemos sobre a necessidade de atenção especial para as competências socioemocionais de estudantes, mas não lemos com tanta frequência sobre essa necessidade em relação aos professores. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) discute e estabelece as competências socioemocionais para os alunos da Educação Básica, mas pouco fala dos docentes e de suas necessidades socioemocionais.

Mas isso está mudando. Desde 2016, o eduLab21, Centro de Pesquisa do Instituto Ayrton Senna, realiza pesquisas para preencher essa lacuna. O esforço resultou no documento “Competências socioemocionais de educadores: seu papel central para uma concepção de educação integral”[1]

Entende-se como competência socioemocional a capacidade individual humana que se revela nos padrões de pensamentos, sentimentos e comportamentos ao se relacionar consigo mesmo e com os outros, traçar objetivos e persistir em alcançá-los, tomar decisões, adotar novas ideias ou encarar situações adversas. São habilidades que desenvolvemos para trabalhar as nossas emoções durante os desafios da vivência humana e estão ligadas à nossa capacidade de conhecer, conviver, trabalhar e ser.

O cérebro e as emoções

Somos seres emocionais e a partir da significação de nossas memórias, sentimos o mundo e reagimos a ele. Mas antes de escrever mais sobre essa constatação humana, é preciso diferenciar emoção de sentimento.

Emoção é comportamento, é a resposta do corpo para situações de estímulo ambiental com relevância emocional. Já o sentimento, é a experiência que acontece na mente sobre o que ocorre no corpo em situação de emoção, atribuindo sentido a aquela vivência emocional.

Como exemplo, podemos pensar na situação de ter que enfrentar uma discussão com a pessoa amada, aquela discussão inevitável, dolorida, afinal, o amor está no ar. Há alguns aspectos físicos que surgem, como os batimentos cardíacos acelerados, os olhos arregalados, aceleração dos pensamentos e o frio na barriga quando a pessoa chega e finalmente aproxima-se a hora de “falar algumas verdades”. Todos esses aspectos são emocionais e comportamentais.

Enquanto isso, na mente das duas pessoas ocorre a vivência do momento, seu desenrolar e um sentido único a cada um dos indivíduos envolvidos na discussão, que será influenciado pelas memórias e histórico de vida de cada um. Está sendo desenhado o sentimento da situação vivida, que se tornará memória e talvez mais um circuito neural que será acionado quando uma situação parecida ocorrer novamente ou apenas for lembrada.

O Sistema Nervoso Central é complexo e responsável por várias funções da vida humana. No caso das emoções e sentimentos, podemos ressaltar os circuitos límbicos, localizados mais ao centro do cérebro humano e responsável pela ativação do sistema nervoso autônomo, que além de incitar o comportamento exemplificado acima, também atua sobre os músculos do esqueleto, inclusive nos localizados no rosto humano.  Sabe aquelas expressões faciais que ocorrem no seu rosto e entregam o que você está sentindo e pioram ainda mais o clima daquela discussão? Então, você encontrou o culpado, não há como disfarçar.

O sistema límbico nos faz reagir de forma espontânea, acionando padrões comportamentais gravados em nosso cérebro ao longo da vida e que nem sempre combinam com o que realmente desejamos que ocorra. Mas há momentos em que a situação vivida é totalmente nova e não se encaixa nos padrões de acionamento automático, será preciso parar e pensar. Nesses casos entra em cena a região cerebral que nos diferencia de todas as espécies humanas da terra, capaz de impulsionar a realização das mais incríveis invenções. Estou falando do cérebro, especificamente do córtex pré-frontal cerebral.

O maestro do cérebro humano

O ato de planejar as ações diárias, pensar antes de falar, controlar o comportamento impulsivo, ser criativo, reflexivo, manter a memória de curta duração ativa para não perder o foco e atenção, além da capacidade de pensar no próprio pensar, são funções cerebrais próprias da espécie humana e capazes de dialogar com nosso sistema límbico e demais funções do Sistema Nervoso humano. Essas funções são conhecidas como “Funções Executivas Cerebrais”.

Essas Funções precisam de treino, estímulo externo frequente, consistente e planejado para seu desenvolvimento pleno. Sua funcionalidade, aliada ao funcionamento cerebral como um todo, determina o comportamento humano e diferencia o pensamento da espécie humana. É na perfeita sinfonia entre as emoções e as funções executivas cerebrais que habitam as competências socioemocionais.

Quer saber mais acesse: https://sun.eduzz.com/661629

[1] Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/content/dam/institutoayrtonsenna/documentos/instituto-ayrton-senna-competencias-socioemocionais-de-educadores.pdf

 

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